Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto

Famerp estuda utilização de células-tronco para tratamento de insuficiência renal

01 Fevereiro 2018

Pesquisa apontou ser possível retardar a progressão da doença crônica e pode ser a esperança para pacientes portadores da doença

A doença renal crônica é um problema de saúde pública mundial. Quando a doença evolui para a fase final, as opções de tratamento são limitadas à hemodiálise ou transplante renal. A medicina regenerativa, que envolve a reconstrução ou reparação de tecidos e órgãos, pode oferecer uma alternativa promissora.

O grupo de pesquisa em terapia celular do Laboratório de Imunologia e Transplante Experimental LITEX da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e Hospital de Base, liderado pelo Prof. Dr. Mário Abbud Filho, está desenvolvendo estudos que utilizam a terapia celular com células-tronco em doenças renais crônicas e em transplantes. “Nosso primeiro trabalho, desenvolvido com ratos, mostrou ser possível retardar a progressão da insuficiência renal crônica”, explica Mário Abbud Filho, coordenador do Laboratório LITEX.

O objetivo da pesquisa, segundo Abbud, é mostrar que que as células progenitoras renais infundidas nos rins dos animais com insuficiência renal podem ajudar a restaurar a função renal. “Utilizaremos roedores que irão passar por cirurgias para simular a doença renal. Para isso, os animais ficarão com apenas 20% da função renal”, acrescenta.

Os pesquisadores usarão fatores de diferenciação nas culturas celulares que são essenciais durante o desenvolvimento natural dos rins e esperam diferenciar as células-tronco em células progenitoras renais, aquelas que antecedem as células renais maduras. “Isso significa um ponto de partida para a reparação de rins humanos funcionais, bem como o desenvolvimento de terapias que permitem reparar rins em fases mais iniciais da doença renal”, revela Dra. Heloisa Caldas, pesquisadora do Laboratório LITEX.

O grupo de pesquisa conta ainda com a colaboração do Dr. Fernando Lojudice Silva e Dra. Mari Cleide Sogayar (Núcleo de Terapia Celular e Molecular da USP), além da participação da aluna de doutorado da FAMERP Patricia de Carvalho Ribeiro.

De acordo com Heloisa, serão utilizados dois tipos de células-tronco, as pluripotentes induzidas (iPS) e as progenitoras renais, em modelo experimental de insuficiência renal crônica para observar se tais células proporcionariam melhora nos animais em estudo.

As iPS são células tronco produzidas por reprogramação genética e classificadas como pluripotentes, pois podem se diferenciar (ou seja, se transformar) em células de praticamente todos os tecidos do corpo; já as células progenitoras renais apresentam capacidade de diferenciação mais limitada, sendo capazes de gerar apenas células da linhagem renal.

A pesquisa é financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Doença renal crônica
A doença renal crônica consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins (glomerular, tubular e endócrina). Em sua fase mais avançada (chamada de fase terminal de insuficiência renal crônica-IRC), os rins não conseguem mais manter a normalidade do meio interno do paciente.

O transplante renal é uma opção de tratamento para os pacientes que sofrem de doença renal crônica avançada. O Ministério da Saúde divulgou, em 2017, que 26.507 pessoas estão esperando por um rim na fila de transplantes. Quinze milhões de brasileiros têm algum grau de comprometimento das funções renais, mas apenas 100 mil sabem.

Comunic Comunicação Corporativa

End: Av. Brigadeiro Faria Lima, - 5416 - Vila São Pedro
CEP: 15090-000 Cidade: São José do Rio Preto - SP
Fone: (17) 3201-5700 - Fax: (17) 3229-1777