A ciência produzida no interior paulista está no topo do conhecimento global. Um levantamento internacional elaborado pela Universidade de Stanford em parceria com a editora Elsevier apontou pesquisadores do complexo Famerp/Funfarme (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e Hospital de Base) no seleto grupo dos cientistas mais influentes do mundo. O reconhecimento mensura o volume e o prestígio de citações científicas que os trabalhos da instituição recebem em todo o planeta.
Entre os destaques está o virologista Dr. Maurício Lacerda Nogueira, que figura entre os 2% dos cientistas mais citados do mundo na área de arboviroses. Com investigações financiadas tanto por agências brasileiras quanto pelo governo norte-americano, a equipe liderada por Maurício estuda a dinâmica de transmissão de vírus como dengue, zika e febre amarela, além de atuar no desenvolvimento de diagnósticos, tratamentos e vacinas.
Para o Dr. Maurício Nogueira, figurar no ranking reflete uma trajetória coletiva de duas décadas construída dentro do Hospital de Base e da Famerp.
“Isso não pode ser encarado como um objetivo em si, mas como consequência de 20 anos de trabalho, do apoio das instituições, da participação da população nos estudos e da qualidade dos alunos e pesquisadores que formamos. A pesquisa que é citada e é referência lá fora foi feita aqui dentro de São José do Rio Preto, com a população e com os pacientes atendidos no Hospital de Base. Ela serve para oferecer aos gestores melhores informações para medidas de controle de mosquito e vacinação, e para que os nossos pacientes tenham um atendimento de melhor qualidade”, ressalta ressalta o cientista e diretor-adjunto de Pós-Graduação da Famerp.
O pesquisador ressalta ainda o valor estratégico do financiamento contínuo para manter o país competitivo. “A ciência é muito cara, mas não fazer ciência é ainda mais caro. Isso se reflete em tratamentos de saúde mais custosos, na população adoecida e em maiores investimentos do SUS no futuro. Precisamos nos atualizar constantemente para continuar respondendo às necessidades da sociedade”, disse.
Na área de Medicina de Emergência e Terapia Intensiva, a médica intensivista e professora da Famerp Dra. Suzana Margareth Ajeje Lobo alcançou a 459ª posição mundial entre mais de 44 mil pesquisadores avaliados em sua especialidade, colocando seu trabalho entre o 1,04% de maior impacto científico global. Com mais de 170 artigos publicados e mais de 24,9 mil citações na literatura médica mundial, Dra. Suzana lidera investigações sobre sepse (infecção generalizada), marcadores inflamatórios e otimização hemodinâmica em pacientes graves.
A Dra. Suzana Lobo pontua também o desafio de conciliar a rotina assistencial de emergência com a atividade acadêmica e científica.
“Não é fácil conseguir financiamento para a pesquisa clínica e conciliar a rotina de dar aulas, atender pacientes graves na UTI e orientar mestrandos e doutorandos. Mas é muito gratificante ver nosso trabalho reconhecido. Esse resultado mostra que a investigação que fazemos na beira do leito ajuda a tomar decisões terapêuticas mais adequadas e individualizadas para as necessidades de cada paciente”, ressaltou.

Foto: Johnny Torres / FAMERP Divulgação





















