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Beatriz

Integrantes da IV Turma de Medicina se reencontraram no Anfiteatro Central, revisitaram o Hospital de Base e recriaram, na mesma escadaria, uma fotografia que atravessou cinco décadas

Há fotografias que registram um instante. Outras acabam guardando uma vida inteira.

Há 50 anos, jovens médicos posaram juntos na escadaria do Hospital de Base de São José do Rio Preto. Tinham acabado de atravessar anos intensos de estudo, plantões, descobertas e amizades. Diante deles estava praticamente tudo: carreiras por construir, pacientes ainda desconhecidos, famílias que nasceriam, caminhos que os levariam a diferentes cidades e especialidades.
Na tarde de sexta-feira, 9 de outubro, parte daquela turma voltou ao mesmo lugar.

Os formandos da IV Turma de Medicina da FAMERP, de 1976, reuniram-se para celebrar o Jubileu de Ouro, no ano em que a turma chega aos 50 anos de formação. O encontro começou no Anfiteatro Central da FAMERP e seguiu depois para o Hospital de Base, espaço inseparável da trajetória acadêmica e profissional de muitos deles.

Não foi apenas uma visita.
Foi um retorno.

Nos corredores que um dia percorreram como estudantes, os antigos alunos reencontraram espaços conhecidos e, inevitavelmente, outras versões de si mesmos. A Medicina mudou. A FAMERP cresceu. O Hospital de Base se transformou. Eles também. Mas algumas histórias parecem resistir à passagem do tempo.

A mais simbólica delas estava na escadaria principal do Hospital de Base.
Ali, os integrantes da turma se posicionaram novamente para refazer a fotografia registrada cinco décadas antes. O cenário permaneceu como elo entre duas imagens separadas por meio século: de um lado, jovens médicos diante de uma profissão que começava; do outro, profissionais que carregam no currículo décadas de assistência, ensino, pesquisa e contribuição à saúde.

Entre os integrantes da turma está o Prof. Dr. Horácio José Ramalho, que fez da instituição onde estudou também parte de sua vida profissional. Docente da FAMERP, ele é atualmente diretor-executivo da FUNFARME, fundação responsável pelo complexo que inclui o Hospital de Base.

Sua trajetória simboliza uma característica marcante daquela geração. Muitos dos estudantes formados em 1976 mantiveram vínculos com a FAMERP ao longo das décadas, alguns deles permanecendo na instituição como docentes e participando diretamente da formação das gerações seguintes.

Assim, o conhecimento recebido em sala de aula não terminou com o diploma. Passou de professor para aluno, depois daquele aluno para novos estudantes, numa corrente que atravessou décadas e ajudou a consolidar a tradição da FAMERP no ensino médico.

A turma era formada por 68 alunos. A conclusão do curso ocorreu em 30 de novembro de 1976, e a colação de grau foi realizada em 2 de dezembro daquele ano.

Naquele tempo, a instituição ainda carregava em seu nome uma história que estava sendo construída. Hoje, aqueles estudantes podem olhar para a dimensão alcançada pela FAMERP e pelo Hospital de Base sabendo que parte dessa trajetória também passou por suas mãos.

O próprio Prof. Dr. Horácio José Ramalho ocupa atualmente uma posição que traduz essa continuidade. Além da atividade acadêmica na FAMERP, está à frente da diretoria executiva da FUNFARME, instituição que administra um complexo hospitalar cuja assistência alcança mais de 1,7 milhão de pessoas em 102 municípios do Noroeste Paulista.

Mas números, cargos e currículos contam apenas parte dessa história.

O reencontro de uma turma depois de cinco décadas também é feito de detalhes menos mensuráveis: reconhecer uma voz antes de reconhecer um rosto, relembrar um professor, descobrir o destino de um colega, repetir uma história conhecida por todos e perceber que algumas amizades conseguem atravessar o tempo praticamente intactas.

Naquela sexta-feira, por algumas horas, os médicos voltaram a ser também os alunos de 1976.

E, diante da escadaria do Hospital de Base, a fotografia ganhou uma segunda versão.

A primeira guardava expectativas.

A nova guarda trajetórias.

Entre uma e outra estão 50 anos de Medicina, de histórias e de FAMERP.

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