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CENAP recebe pesquisas e projetos da comunidade FAMERP e Funfarme

A produção científica de qualidade exige mais do que boas ideias. Rigor metodológico, alinhamento institucional e suporte técnico são fundamentais para o sucesso de um projeto. Nesse contexto, o Centro de Apoio à Pesquisa (CENAP) oferece apoio à qualificação técnica, metodológica e editorial de projetos científicos já concebidos pelas equipes de pesquisa.

É importante destacar que o CENAP não elabora projetos de pesquisa. Seu papel é apoiar e aprimorar propostas existentes, contribuindo para o fortalecimento da produção científica institucional.

Quem pode submeter projetos?

  • Profissionais vinculados à FAMERP e Funfarme;
  • Docentes e pesquisadores da FAMERP;
  • Discentes, desde que com supervisão formal;
  • Colaboradores técnicos com supervisão institucional.

Todos os projetos devem possuir vinculação institucional.

Passo a passo para submissão
O processo de submissão foi estruturado para ser simples e organizado:

  • Faça login no site (www.cenaphb.com.br) do CENAP ou crie uma nova conta.
  • Preencha o formulário com todas as informações do projeto.
  • Envie os documentos necessários em formato PDF.
  • Aguarde a análise inicial, que ocorre em até 30 dias.

Projetos com pendências poderão retornar aos pesquisadores para adequações antes de avançarem para as próximas etapas.

Fases do processo de avaliação

O fluxo de avaliação do CENAP é conduzido de forma sequencial e integrada. Inicialmente, ocorre a submissão digital do projeto de pesquisa completo por meio do sistema institucional. Na sequência, é realizada uma triagem técnica e documental, que verifica a completude das informações e o atendimento aos requisitos obrigatórios.

Uma vez superada essa etapa, o projeto é encaminhado para a avaliação científica pelo Comitê Científico, que analisa de maneira aprofundada aspectos como viabilidade, qualidade metodológica, relevância científica e conformidade ética.

Posteriormente, os pareceres são consolidados e submetidos à deliberação final do Comitê Científico, que decide pela aprovação, solicitação de ajustes ou indeferimento do projeto, com a emissão dos pareceres consolidados.

Após a aprovação, o CENAP mantém o acompanhamento técnico do projeto até a publicação dos resultados, monitorando relatórios, eventuais alterações aprovadas e a conformidade das produções científicas derivadas.

Critérios de avaliação científica
Os projetos são avaliados com base em quatro dimensões principais, cada uma com pontuação de 0 a 10:

  • Qualidade metodológica;
  • Relevância e originalidade;
  • Viabilidade técnica;
  • Impacto institucional.

Cada proposta é analisada por dois pareceristas, e a deliberação final é realizada pelo Comitê Científico, instância máxima do CENAP. A nota final é calculada automaticamente conforme pesos institucionais previamente definidos e as faixas de decisão decidem a indicação do projeto:

  • Nota entre 0 e 5,9 – retorno para ajustes com mentoria;
  • Nota igual ou superior a 6,0 – projeto aprovado.

Acompanhamento pós-aprovação
O apoio do CENAP não se encerra com a aprovação do projeto. A instituição realiza acompanhamento técnico contínuo, incluindo a análise de relatórios de progresso, avaliação de eventuais alterações no protocolo e conferência das publicações científicas resultantes. Esse monitoramento assegura a conformidade ética e o alinhamento institucional ao longo de toda a execução da pesquisa.

Fortalecimento da pesquisa científica
Ao oferecer suporte especializado e acompanhamento contínuo, o CENAP contribui para o fortalecimento da pesquisa científica e para a geração de conhecimento com impacto institucional e social.
Pesquisadores vinculados à FAMERP e Funfarme são incentivados a submeter seus projetos e aproveitar essa oportunidade de qualificação.

Canais de contato:
www.cenaphb.com.br/submissão
(17) 3201-5157
cenap@hospitaldebase.com

Pesquisadores da FAMERP que participaram de estudo da vacina contra a dengue foram imunizados

A equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) que participou do estudo clínico da vacina contra a dengue foi imunizada na tarde da última sexta-feira (13), no Centro de Pesquisas Clínicas da instituição, localizado no bairro Vila Toninho. Ao todo, 32 profissionais foram vacinados.

As doses foram disponibilizadas pelo Instituto Butantan e integram o protocolo adotado pelo instituto de imunizar todas as equipes envolvidas nas pesquisas para o desenvolvimento do imunizante. No estado de São Paulo, a primeira etapa desta campanha de vacinação teve início no último dia 9, com 99 mil doses destinadas aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, de 645 municípios. Do total de doses enviadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), 5.392 doses foram destinadas ao Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Rio Preto e 1.369 ao GVE de Jales.

A FAMERP foi o único centro de pesquisa parceiro do Butantan no interior do estado de São Paulo, na condução do estudo que comprovou a segurança e a eficácia da vacina Butantan-DV. Os dados produzidos pela instituição integraram o conjunto de evidências que fundamentaram o parecer favorável da Anvisa para registro do imunizante.

A vacina apresentou eficácia global de 74,7% contra a dengue sintomática na população de 12 a 59 anos e proteção superior a 89% contra formas graves e com sinais de alarme, conforme resultados publicados em periódicos científicos internacionais. O imunizante é o primeiro contra a dengue em dose única e com proteção contra os quatro sorotipos do vírus.

O virologista e diretor-adjunto de Pós Graduação da FAMERP, Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, destaca o significado científico da vacinação da equipe. “Este é um momento que simboliza o encerramento de um ciclo extremamente rigoroso de pesquisa clínica. Acompanhar voluntários por anos, produzir dados consistentes e contribuir para demonstrar a segurança e a eficácia de uma vacina 100% nacional é motivo de grande responsabilidade e satisfação”, afirmou.

Referência internacional em arboviroses e um dos coordenadores científicos da pesquisa, o professor Nogueira ressalta que “ver essa vacina sendo aplicada na própria equipe é a concretização de um trabalho científico sólido que começou muito antes da campanha de imunização”.

A infectologista Profa. Dra. Cássia Estofolete também concorda. “Esse é um momento muito importante, especialmente para nós, que conhecemos o peso real das doenças. Quem está no estudo vê de perto hospitalização, complicações, impacto em família e em sistema de saúde. Pesquisa é responsabilidade. Nós pedimos a confiança das pessoas: ‘venha, participe!’. E quando eu me vacino, mostro que confio no método, nos dados e no processo de segurança que eu mesma ajudei a colocar de pé”, destacou.

Parceria com o Instituto Butantan
Principal parceira do Instituto Butantan no interior do estado de São Paulo, a FAMERP teve papel central na produção das evidências científicas que hoje embasam a estratégia nacional de imunização contra a dengue.

“É uma parceria sólida, com anos de duração. A ideia é que o Instituto Butantan, como desenvolvedor de vacinas e outros imunobiológicos de interesse especial para o SUS, identifique parceiros estratégicos com alto conhecimento científico no Estado de São Paulo. E a FAMERP é um desses parceiros estratégicos, pelo know-how tanto de recursos humanos como em pesquisas e pessoas que sabem fazer pesquisa clínica”, afirma José Moreira, diretor de Matéria Médica do instituto.

O Butantan é o maior produtor de vacinas e soros da América Latina e o principal fabricante de imunobiológicos do Brasil, responsável por 100% das vacinas contra influenza utilizadas na Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Referência internacional em qualidade e eficiência, o instituto lidera projetos estratégicos para a segurança sanitária do país.

FAMERP fortalece mobilização regional no enfrentamento à dengue e reafirma compromisso com o SUS

Diante dos desafios impostos pela circulação da dengue e outras arboviroses na região de Rio Preto, a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) sediou o II Fórum Regional de Enfrentamento da Dengue, reunindo autoridades da saúde, gestores públicos e profissionais da Rede de Atenção à Saúde dos 102 municípios do DRS-15.

O encontro reforçou a importância do planejamento integrado, da capacitação contínua e da atuação baseada em evidências científicas para reduzir impactos sociais, assistenciais e econômicos causados pela doença.

A mesa de abertura contou com a presença do vice-diretor geral da FAMERP, Prof. Dr. Aldenis Borim; do diretor-executivo da Funfarme, Prof. Dr. Horácio Ramalho; do secretário municipal de saúde de Rio Preto, Dr. Rubem Bottas; do diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-15), Dr. André Luciano Baitello; e da Chefe do Departamento de Epidemiologia e Saúde da FAMERP, Profa. Dra. Maria Lúcia Machado Salomão.

Ao longo da programação, foram discutidos o cenário epidemiológico regional, estratégias de diagnóstico precoce, manejo clínico e organização da rede assistencial, com atenção especial a grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pacientes com comorbidades.

Ciência produzida em Rio Preto
A FAMERP tem papel estratégico no enfrentamento à dengue não apenas na formação de profissionais e na articulação regional, mas também na produção de conhecimento científico.

A instituição foi o único centro de pesquisa do Estado de São Paulo nos estudos da vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada pela Anvisa. A segurança do imunizante foi avaliada por pesquisadores da FAMERP junto à população de São José do Rio Preto, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Esse protagonismo reafirma o compromisso da Faculdade com a ciência pública, a universidade pública e o fortalecimento do SUS como patrimônio da população brasileira.

Formação, pesquisa e assistência integradas
As ações assistenciais realizadas nos hospitais de ensino contam com a atuação direta de professores, pesquisadores, residentes e alunos da FAMERP, integrando ensino, pesquisa e cuidado à população.

Mais do que um evento pontual, o Fórum representa um movimento contínuo de mobilização regional, baseado em responsabilidade pública, cooperação institucional e produção científica qualificada. Rio Preto enfrenta desafios importantes na saúde pública, mas enfrenta com conhecimento, preparo técnico e união.

▶️ Assista à participação do Prof. Dr. Aldenis Borim: https://www.instagram.com/p/DUqTMDVEgZS/

Fotos: Johnny Torres / Famerp Divulgação

Pesquisa liderada pela Famerp e Funfarme coloca Mirassol na largada da vacinação contra Chikungunya

Mirassol entrou para a história da saúde pública brasileira nesta segunda-feira (2) ao se tornar o primeiro município do país a iniciar a vacinação contra a chikungunya. O marco, no entanto, vai além do ato simbólico da primeira dose aplicada: a largada da imunização só foi possível graças aos estudos científicos liderados pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), em parceria com a Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme), que garantiram a segurança e a eficácia da vacina.

Mais do que um avanço no combate à chikungunya, o início da vacinação evidencia o impacto direto da pesquisa científica na vida da população, como é o caso da enfermeira Maria do Rozário Drigo Fernandes, que atua no Centro de Saúde II (Postão), em Mirassol. Acostumada a vacinar a população, Maria do Rozário ficou emociona ao ser a primeira brasileira a ser vacinada.

O início da campanha foi acompanhado pelo secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Dr. Eleuses Paiva, pela médica infectologista Profª Drª Cassia Estofolete, pesquisadora da Famerp e uma das coordenadoras do estudo. Também estavam presentes o Dr. José Moreira, diretor de Matéria Médica do Instituto Butantan e o diretor-executivo da Funfarme, Prof. Dr. Horácio Ramalho, além do diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-XV), Dr. André Luciano Baitello, e autoridades municipais.

A vacinação em Mirassol é resultado direto de um longo processo de pesquisa clínica, do qual a Famerp foi a única instituição de ensino superior participante. A faculdade esteve envolvida em todas as etapas dos estudos, desde as fases iniciais até os ensaios clínicos mais avançados, consolidando o papel da região como polo estratégico de ciência e inovação em saúde.

Para o secretário estadual da Saúde, Dr. Eleuses Paiva, o protagonismo da Famerp reforça a relevância da instituição no cenário nacional. “A Famerp é um polo de ciência extremamente importante, não só para a região noroeste, mas hoje é um motivo de orgulho para o nosso país”, afirmou.

Segundo Paiva, a participação da faculdade foi fundamental para a comprovação da segurança e da eficácia do imunizante. “A Famerp foi extremamente importante para a gente poder avançar, principalmente nos estudos de fase três, que fizemos no Brasil. A Famerp foi um desses polos, onde nós tratávamos tanto populações mais jovens como populações dessa faixa etária, para ver qual a resposta”, explicou. De acordo com o secretário, os resultados obtidos no país foram equivalentes aos observados em estudos realizados na Europa. “Aqui no Brasil, a resposta foi muito similar: 98,7% dos voluntários tiveram produção de anticorpos neutralizantes”, completou.

O imunizante contra a chikungunya foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva, em parceria com o Instituto Butantan, e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. A aplicação inicial ocorre de forma estratégica em municípios considerados de maior risco epidemiológico. Ao todo, dez cidades de quatro estados brasileiros foram selecionadas para esta primeira etapa, com Mirassol abrindo oficialmente a campanha nacional.

O município recebeu um primeiro lote com 2.400 doses e a expectativa é vacinar cerca de 37.500 pessoas. Desde esta segunda-feira, moradores com idade entre 18 e 59 anos podem receber a vacina gratuitamente nas unidades de saúde da cidade.

Durante o evento, o prefeito de Mirassol, Edson Antonio Ermenegildo, destacou a satisfação de o município ter sido escolhido para iniciar a vacinação no Brasil. “Sem ciência, só milagre”, afirmou

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika, e tem apresentado crescimento expressivo no país. Dados do Ministério da Saúde indicam que, somente em 2024, foram registrados 263.502 casos e 246 óbitos no Brasil. A doença pode causar febre alta, dores intensas nas articulações, dores musculares e, em alguns casos, complicações neurológicas. Como não há tratamento antiviral específico, a vacinação é considerada a principal estratégia de prevenção.

Fotos: Johnny Torres / Famerp Divulgação

Pesquisadores da Famerp testam medicamento para melhorar aproveitamento de rins em transplantes

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) investiga o uso do anakinra — fármaco já aprovado no Brasil para o tratamento da artrite reumatoide — como uma estratégia para reduzir processos inflamatórios em rins de doadores falecidos antes do transplante. A iniciativa busca ampliar o aproveitamento dos órgãos e melhorar os resultados clínicos dos transplantes renais.

O estudo, apoiado pela FAPESP, foi reconhecido como o melhor trabalho científico no Congresso Latino-Americano de Transplantes, realizado em outubro de 2025, no Paraguai. A pesquisa é coordenada pelos pesquisadores Prof. Dr. Mário Abbud Filho e Profa. Dra. Heloísa Cristina Caldas, docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da Famerp. Para o nefrologista Dr. Abbud Filho, a proposta responde a uma demanda urgente do sistema de transplantes brasileiro. “Trata-se de usar uma droga segura e já incorporada à prática médica para melhorar a condição do órgão antes do implante”, afirma.

O Brasil enfrenta um desequilíbrio entre oferta e demanda por órgãos. Mais de 30 mil pessoas aguardam por um transplante renal, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Apesar dos avanços na captação, cerca de 30% dos rins provenientes de doadores falecidos acabam descartados todos os anos por não atenderem a critérios considerados ideais no momento do transplante.

Embora o transplante seja a alternativa mais eficaz para pacientes com doença renal crônica, o pós-operatório ainda apresenta desafios importantes. No país, a maioria dos receptores de rins de doadores falecidos desenvolve uma disfunção renal temporária logo após o procedimento, o que prolonga a necessidade de diálise e aumenta o tempo de internação hospitalar.

De acordo com o Prof. Dr. Mário Abbud Filho, esse cenário está fortemente relacionado às condições de preservação dos órgãos. O período em que o rim permanece fora do corpo, submetido a baixas temperaturas e sem oxigenação adequada, favorece processos inflamatórios que comprometem seu funcionamento inicial após o transplante.

Além disso, rins provenientes de doadores com idade avançada ou comorbidades — conhecidos como doadores de critérios estendidos — apresentam maior risco de complicações e são frequentemente recusados, mesmo quando poderiam ser utilizados com segurança. A pesquisa da Famerp busca justamente alternativas para recuperar e preservar melhor esses órgãos.

Uma das tecnologias mais eficazes para esse fim é a perfusão renal em máquina, método que mantém o rim irrigado com solução oxigenada até o transplante. Apesar dos benefícios, o alto custo limita seu uso no Brasil. Por isso, os pesquisadores avaliaram o potencial do anakinra como uma solução farmacológica capaz de reduzir a inflamação mesmo em contextos de preservação mais simples.

Os pesquisadores destacam que a incorporação da perfusão renal em máquina no Sistema Único de Saúde (SUS) poderia ampliar significativamente o aproveitamento de rins de doadores de critérios estendidos, além de abrir caminho para estratégias terapêuticas inovadoras durante a preservação dos órgãos. Enquanto essa tecnologia ainda não está amplamente disponível no país, a associação entre perfusão em máquina e terapias farmacológicas representa uma perspectiva promissora para qualificar o transplante renal no Brasil.

Segundo a Profa. Dra. Heloísa Cristina Caldas, a inflamação se inicia ainda no doador e pode se intensificar durante o período de armazenamento do órgão. “A ideia foi intervir nesse processo antes do transplante, preservando melhor o tecido renal e favorecendo a recuperação do órgão após o transplante”, explica.

O estudo experimental foi realizado em parceria com a University Medical Center Groningen, nos Países Baixos, utilizando rins de suínos, modelo considerado semelhante ao humano. Os órgãos foram submetidos a diferentes protocolos de perfusão, com e sem o medicamento, em temperaturas controladas.

Os resultados indicaram redução significativa de marcadores inflamatórios nos rins tratados com anakinra, sem evidência de toxicidade ou prejuízo estrutural ao tecido renal. “Os dados mostram que é possível modular a resposta inflamatória do órgão antes do transplante”, explica a pesquisadora Ludimila Leite Marzochi, autora principal do trabalho.

A próxima etapa da pesquisa prevê testes em rins humanos descartados para transplante, em colaboração com um centro de pesquisa nos Estados Unidos. A expectativa é avançar para aplicações mais próximas da prática clínica e avaliar a viabilidade do uso do medicamento em larga escala.

Segundo o Prof. Dr. Mário Abbud Filho, caso os resultados se confirmem, o anakinra poderá ser incorporado até mesmo ao método tradicional de preservação estática, utilizado na maioria dos centros transplantadores brasileiros. “Isso permitiria ganhos clínicos relevantes sem a necessidade de investimentos elevados em novos equipamentos”, destaca.

Para a equipe da Famerp, a pesquisa reforça a importância de soluções que aliem inovação científica, viabilidade econômica e impacto direto no atendimento aos pacientes. O objetivo final é aumentar o número de rins utilizáveis e melhorar os resultados dos transplantes renais no país.

Famerp recebe doação internacional para Fundo em apoio à pesquisa cardiológica

A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) oficializou nesta quarta-feira (17) a criação do Fundo Marcos Centola, destinado a apoiar a formação científica de estudantes de graduação e pós-graduação na área de cardiologia. O fundo foi viabilizado por uma doação internacional de US$ 11 mil, realizada em homenagem ao engenheiro rio-pretense Marcos Centola, morto em novembro de 2024, aos 71 anos de idade.

Nascido em São José do Rio Preto, Marcos Centola tornou-se um profissional de destaque internacional na engenharia de dispositivos médicos, contribuindo para tecnologias que hoje salvam vidas em todo o mundo. Atuou em centros de inovação nos Estados Unidos e Alemanha, onde consolidou sua trajetória como referência global.

“Na Europa é muito comum a arrecadação de doações para uma causa em homenagem à morte de uma pessoa querida. Com a morte do engenheiro Marcos Centola, seus amigos criam um fundo destinado à formação científica. Eles escolheram investir esse recurso na Famerp porque é um instituição pública, de excelência, localizada na cidade natal do Marcos Centola”, explica o diretor-geral da FAMERP, Prof. Dr. Helencar Ignácio.

Segundo diretor, a doação representa um gesto de amizade, respeito e reconhecimento profissional, vindo de colegas e parceiros que trabalharam diretamente com o rio-pretense.

A iniciativa foi encabeçada por Thomas Bogenschüetz, presidente da Medical Valley in Hechingen, que é um centro de inovação em tecnologia médica em Baden-Württemberg, na Alemanha. Essa rede ativa conta com mais de 70 empresas de tecnologia médica – entre elas a MEDIRA e a QATNA –, além de fornecedores e prestadores de serviços.

“Embora a Medical Valley seja sediada na Alemanha, os amigos escolheram uma faculdade pública brasileira para realizar a homenagem por causa da origem e do legado do Marcos Centola. Sua trajetória internacional era motivo de orgulho para colegas alemães, que viam em sua história um exemplo de excelência científica e impacto humano”, afirmou Thomas Bogenschüetz, cofundador e CEO da MEDIRA. “A criação do Fundo Marcos Centola destaca o reconhecimento internacional à trajetória profissional do nosso amigo, que foi referência global em dispositivos médicos cardiovasculares”, explica.

Durante a cerimônia, Thomas Bogenschüetz e representantes da família Centola entregaram o cheque simbólico, no valor de US$ 11 mil, ao diretor geral da Famerp. Além da viúva, Ana Maria Centola, filhos e irmãos do homenageado, também estavam presentes dirigentes e docentes da Famerp, da FAEPE (Fundação de Apoio ao Ensino Famerp), FUNFARME (Fundação Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto), CIP (Centro Integrado de Pesquisa) do Hospital de Base, além de cardiologistas e pesquisadores das instituições.

Fundo Marcos Centola
O Fundo Marcos Centola irá financiar atividades como participação de estudantes em congressos internacionais, intercâmbios acadêmicos e projetos de formação científica avançada na área de cardiologia, ampliando oportunidades e impactando a carreira de novos profissionais.

Com a criação do fundo, a contribuição retorna simbolicamente à cidade natal de Marcos Centola, beneficiando jovens pesquisadores brasileiros e perpetuando os valores de criatividade, ética e inovação que marcaram sua carreira.

Quem foi Marcos Centola
Nascido em São José do Rio Preto, em 1953, Marcos Pereira Centola construiu carreira de projeção internacional na engenharia de dispositivos médicos. Formado pela Universidade Mackenzie, ingressou no setor médico no fim dos anos 1980, deixando o seu maior legado.

Na Braile, destacou-se por programas endovasculares que o levaram ao cenário global. Em 2007, passou a liderar projetos na JOTEC e, consequentemente, integrou o centro de inovação em tecnologia Medical Valley. Na JOTEC criou o sistema Squeeze to Release, hoje utilizado no mundo todo, passando a ser referência em tecnologias para aneurisma de aorta.

Criativo e incansável, somou mais de dez patentes, gerou centenas de empregos e contribuiu diretamente para salvar vidas ao redor do planeta, entre elas a MEDIRA, a QATNA e a NVT — onde lançou o dispositivo Allegra TAVR, aprovado na Europa em 2017.

A MEDIRA é empresa de tecnologias inovadoras para o tratamento de doenças das válvulas cardíacas, e desenvolve soluções que apoiam médicos no tratamento de pacientes cardíacos de forma simples, segura e rápida — missão à qual o engenheiro Marcos dedicou sua vida profissional. Já a QATNA é uma empresa inovadora de tecnologia médica especializada em soluções estruturais para o coração. Ela faz parte da Medical Valley in Hechingen, que é o centro de inovação em tecnologia médica em Baden-Württemberg.

Após se aposentar e retornar ao Brasil, seguiu ativo como consultor até falecer em novembro de 2024. O Fundo Marcos Centola homenageia sua trajetória de impacto humano, científico e internacional, e agora inspira novas gerações de estudantes da Famerp.

Fotos: Johnny Torres / Famerp Divulgação

Vacina do Butantan contra a dengue reduz carga viral e pode conter transmissão da doença

Estudo recém-publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas mostra que a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan é capaz de frear a replicação do vírus quando a infecção ocorre – os chamados breakthrough cases (casos de escape vacinal). Para o paciente, dizem os autores, isso pode representar sintomas menos graves e menor risco de complicações. Do ponto de vista da saúde pública, uma baixa carga viral está associada a uma redução no risco de transmissão do vírus para os mosquitos.

“Esse dado preliminar sugere que a vacinação pode ter um efeito importante na circulação do vírus, ajudando a minimizar novos surtos da doença. Mas é algo que ainda precisamos confirmar com novos estudos”, afirma Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e autor correspondente do artigo. O estudo contou com a participação de Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan que esteve à frente dos testes clínicos da vacina.

Desenvolvida com apoio inicial da FAPESP, a Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de novembro e deve começar a ser oferecida na rede pública de saúde em 2026 para pessoas entre 12 e 59 anos. Dados da terceira fase de testes clínicos, com mais de 16 mil voluntários de 14 Estados brasileiros, indicam que o imunizante tem 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra a dengue grave e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.

A pesquisa liderada por Nogueira e apoiada pela FAPESP foi feita com amostras de sangue de participantes do estudo clínico de fase 3. Foram analisadas 365 amostras positivas para o vírus (sorotipos 1 e 2, que estavam em circulação entre 2016 e 2021, quando ocorreu a fase 3), divididas em dois grupos: o dos vacinados e o de indivíduos que receberam placebo. O objetivo foi analisar a diversidade genética do vírus e compará-la entre vacinados e não vacinados.

Foram sequenciados os genomas virais completos de 160 amostras e, com os dados, foi montada a “árvore genealógica” do vírus (análise filogenética). “Uma das dúvidas que buscamos responder é se haveria alguma linhagem viral associada ao escape vacinal, ou seja, se a vacina estaria protegendo apenas contra algumas linhagens e deixando escapar outras. E vimos que isso não estava acontecendo. As cepas eram as mesmas nos dois grupos analisados”, conta Nogueira.

Outro objetivo foi verificar se a vacina estaria exercendo uma pressão seletiva sobre o patógeno, isto é, favorecendo o surgimento de variantes capazes de driblar os anticorpos induzidos pela vacina. Com auxílio de modelos computacionais, os pesquisadores analisaram as mutações que estavam ocorrendo dentro de cada participante. Os dados indicam que não houve diferença nas taxas de mutação entre vacinados e não vacinados.

Ao olhar a diversidade genética do vírus dentro de cada indivíduo, por meio de uma técnica conhecida como deep sequencing, os cientistas concluíram que – ao menos neste primeiro momento do ensaio clínico – o sistema imune treinado pela vacina não estava selecionando variantes raras ou perigosas dentro do organismo dos imunizados. “Este é mais um dado que mostra a segurança e a eficácia dessa vacina”, afirma Nogueira.

Contexto epidemiológico

Considerada uma região hiperendêmica para dengue, no Brasil é comum que diversas linhagens do vírus circulem simultaneamente. Em 2024, quando ocorreu a maior epidemia da história do país, com mais de 6 milhões de casos e 6 mil mortes confirmadas, os sorotipos predominantes foram o DENV-1 e o DENV-2.

No estudo agora publicado, os autores analisaram a circulação viral durante toda a fase 3 dos testes clínicos da Butantan-DV (2016-2021). Os sorotipos predominantes foram o DENV-1 e o DENV-2, motivo pelo qual a análise filogenética se concentrou neles. Casos de DENV-3 e DENV-4 foram raros nesses cinco anos e, segundo os autores, a eficácia da Butantan-DV contra esses sorotipos continuará sendo avaliada em estudos futuros, à medida que novos dados se tornem disponíveis.

Fonte: Karina Toledo | Agência FAPESP

O artigo Dengue virus genetic diversity in unvaccinated and vaccinated dengue-infected individuals: an observational analysis of the Butantan-DV phase 3 trial in Brazil pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667193X25003205?via%3Dihub.

Vacina da dengue do Instituto Butantan, desenvolvida com participação decisiva da Famerp, recebe aprovação da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (26/11) a Butantan-DV, a nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan e que se torna o primeiro imunizante do mundo em dose única contra a doença. O avanço histórico para a saúde pública brasileira tem contribuição direta e central da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), que desempenhou papel decisivo no maior estudo clínico sobre dengue já realizado no país.

Sob coordenação científica do pesquisador e professor Dr. Maurício Lacerda Nogueira, referência internacional em arboviroses, a Famerp foi um dos principais centros na fase 3 do ensaio clínico. Cerca de 1.100 voluntários da região, grande parte moradores da Vila Toninho, participaram da pesquisa, tornando a comunidade um símbolo do engajamento social necessário para o avanço da ciência. Segundo o Prof. Dr. Nogueira, a adesão dos moradores foi decisiva. “É um feito histórico para a ciência brasileira, e a participação da população de Rio Preto foi fundamental. Sem a confiança dos voluntários e o trabalho dedicado das equipes locais, esse avanço não seria possível”, afirma.

Com o parecer positivo da Anvisa, a expectativa agora é que a Butantan-DV seja incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), com indicação para brasileiros de 12 a 59 anos. A definição do início da oferta ficará a cargo do Ministério da Saúde. Antecipando-se à aprovação, o Instituto Butantan já iniciou a produção industrial do imunizante e possui mais de 1 milhão de doses prontas. Uma parceria internacional também permitirá ampliar a capacidade de entrega para aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026, reforçando o potencial de impacto da vacinação no controle da dengue em regiões endêmicas, como o interior de São Paulo.

A decisão da agência regulatória baseou-se em cinco anos de acompanhamento de mais de 16 mil voluntários distribuídos em 14 estados. Nesse universo, a coorte conduzida pela Famerp teve papel central para assegurar a representatividade e a qualidade dos dados. Entre participantes de 12 a 59 anos, os resultados apontaram 74,7% de eficácia geral; 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme; e 100% de eficácia contra hospitalizações. Especialistas avaliam que esses números têm potencial para reduzir significativamente a carga sobre o sistema de saúde, sobretudo em locais com alta transmissão.

A segurança do imunizante também foi comprovada no estudo, incluindo indivíduos com ou sem infecção prévia. A Famerp teve papel importante na análise desses dados, que indicaram predominância de eventos adversos leves ou moderados — um ponto considerado essencial para a adoção ampla da vacina no país.

Para o Prof. Dr. Helencar Ignácio, diretor-geral da Famerp, o resultado consagra décadas de compromisso institucional com a pesquisa científica. “A participação da Famerp neste estudo representa um marco para a ciência brasileira e confirma o compromisso da instituição com pesquisas de alto impacto social. O engajamento da comunidade da Vila Toninho demonstra o quanto a população confia no trabalho acadêmico que realizamos há décadas. A aprovação desta vacina pela Anvisa é também uma conquista de Rio Preto, dos nossos pesquisadores e, acima de tudo, dos voluntários que dedicaram seu tempo e sua confiança para que este resultado fosse possível”, ressalta.

A Vila Toninho, que se tornou referência no estudo, esteve no centro das ações desde 2016, quando o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acompanhou na Unidade Básica de Saúde local a vacinação do primeiro voluntário. Do total de 16 mil participantes do estudo em todo o Brasil, 1.100 são de Rio. “Durante os quatro primeiros anos eu coordenei e depois a Dra. Cassia Estofolete assumiu, e eu fui deslocado para participar das análises do resultado dessa vacina. Os resultados, publicados em uma série de artigos científicos ao longo dos anos sustentam a decisão anunciada hoje”, explica o Prof. Dr. Nogueira.

A proximidade entre pesquisadores e comunidade foi apontada como um dos fatores centrais para o sucesso do estudo. O vínculo estabelecido garantiu engajamento, retorno às consultas e acompanhamento contínuo — um dos maiores desafios em pesquisas clínicas de grande porte no Brasil. Para a Famerp, essa relação reforça a importância de a população participar ativamente da ciência, ampliando a capacidade de resposta do país a problemas de saúde pública.

O Instituto Butantan já sinalizou que pretende ampliar a faixa etária da vacina para incluir crianças e idosos, e a Famerp confirmou que continuará colaborando nas próximas etapas de coleta e análise de evidências. A instituição reafirma, assim, sua posição como um dos centros de maior relevância nacional no estudo de arboviroses.

A Famerp e seus pesquisadores reiteram o reconhecimento aos voluntários que tornaram possível a aprovação da primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo. Para Nogueira e para a instituição, a contribuição dos moradores da Vila Toninho foi decisiva. Sem essa colaboração, afirmam, o avanço alcançado não teria sido possível.

A Famerp agradece a todos que participaram deste trabalho:

  • Adelizia Diva Claro Mesquita
  • Bruno Henrique Gonçalves de Aguiar Milhim
  • Cassia Fernanda Estofolete
  • Fernanda Simões Dourado
  • Giovana Marcelino
  • Ivonilda Lina da Silva
  • Jessica do Carmo Padoan
  • Jéssica Regina Savoia Borges
  • Karen Sanmartin Rogovsky
  • Leonardo Cecilio Rocha
  • Leticia Crisitina Geraldelli Sanches
  • Marcia Aparecida da Motta
  • Maria Fernanda Gonçalves de Almeida
  • Marini Lina Brancini
  • Maurício Lacerda Nogueira
  • Paula Patrícia de Freitas Chama
  • Rafael Alves da Silva
  • Samuel Noah Scamardi
  • Silvio Orlando Isso
  • Tamires Fernanda Pereira dos Santos
  • Tatiane Mafalda Alves de Azevedo Amorim
  • Vinicius Toledo Lima

Cientista da Famerp recebe reconhecimento internacional e figura entre os cientistas brasileiros mais influentes

O virologista Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, docente e diretor adjunto de Pós-Graduação da Famerp, está na lista dos 107 cientistas brasileiros que mais influenciam decisões no mundo, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (6 de novembro), pela Agência Bori em parceria com a plataforma Overton. Além disso, ele também foi homenageado pela American Society of Tropical Medicine and Hygiene (ASTMH) com o título de Distinguished International Fellow, uma das mais altas distinções em medicina tropical e saúde global.

O professor aparece na 63ª colocação do ranking do relatório realizado em parceria entre a Agência Bori e a Overton, plataforma internacional que rastreia como evidências científicas são usadas em políticas públicas ao redor do mundo. A análise identificou 107 pesquisadores brasileiros com pelo menos 150 citações em documentos estratégicos, relatórios técnicos e pareceres utilizados por governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil entre 2019 e novembro de 2025.

O trabalho reconhece os pesquisadores nacionais cujas descobertas têm embasado decisões estratégicas de governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil. O virologista está na lista que inclui 22 pesquisadores da área de doenças infecciosas e vacinas, que tiveram papel decisivo em políticas de resposta a surtos de zika, dengue e Covid-19 e em decisões relacionadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Reconhecido por sua trajetória em pesquisas sobre viroses e imunizações, o Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira tem papel central no enfrentamento de epidemias no Brasil e no mundo. Ele foi responsável por estudos nas pandemias de Zika e Covid-19, de novas técnicas diagnósticas e contribuíram para o desenvolvimento da vacina contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan.

Essas pesquisas ajudaram a orientar políticas de saúde pública e estratégias de vigilância epidemiológica, influenciando decisões de órgãos como o Ministério da Saúde, agências regulatórias e instituições multilaterais.

“Fazer parte desse levantamento é um reconhecimento coletivo: da Famerp, de nossos alunos, colegas e grupos de pesquisa com os quais colaboramos. A ciência só tem sentido quando ultrapassa os muros da universidade e contribui para melhorar a vida das pessoas”, afirma o Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira. “Ver nossas pesquisas servindo de base para políticas públicas mostra que o conhecimento pode transformar realidades. Esse é o papel da ciência e o compromisso da Famerp com a sociedade”, destaca.

Em setembro deste ano, o pesquisador também foi listado em levantamento da Universidade de Stanford (EUA) entre os cientistas mais influentes do mundo, reforçando o impacto internacional de sua produção científica e a relevância de sua atuação no campo da virologia.

Para o diretor-geral da Famerp, Prof. Dr. Helencar Ignácio, o reconhecimento de Nogueira reflete o papel estratégico da instituição na formação e produção científica do país.

“A pesquisa científica tem um papel essencial na transformação da sociedade. É com base em evidências produzidas por nossos pesquisadores que políticas públicas ganham consistência e legitimidade. Na Famerp, esse compromisso é permanente: formar profissionais éticos e promover a ciência que contribui diretamente para o bem-estar da população”, afirma.

“As conquistas do Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira reafirmam o compromisso da Famerp, instituição pública vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) do Estado de São Paulo, com a formação de médicos e pesquisadores preparados para transformar conhecimento em impacto social”, complementa o diretor-geral.

Virologista é homenageado pela American Society of Tropical Medicine and Hygiene
O Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira também será reconhecido este ano pela American Society of Tropical Medicine and Hygiene (ASTMH) com o título de Distinguished International Fellow, uma das mais altas distinções internacionais na área de medicina tropical e saúde global.

O prêmio homenageia profissionais não norte-americanos “que tenham feito contribuições eminentes e duradouras ao campo, impactando de forma significativa a compreensão de doenças tropicais e os resultados em saúde pública ao longo de suas carreiras.”

Com uma trajetória marcada por liderança científica, pesquisa de ponta e compromisso com o fortalecimento da capacidade científica na América Latina, o Dr. Nogueira passa a integrar um seleto grupo de especialistas cuja atuação transformou o entendimento e o combate a doenças infecciosas no mundo.

O Brasil tem papel de destaque histórico no prêmio, figurando entre os países com maior número de homenageados — 15 cientistas desde 1991 — e consolidando-se como um dos principais polos de excelência mundial em medicina tropical, imunologia e virologia. Pesquisadores brasileiros têm sido continuamente reconhecidos nas últimas décadas por suas contribuições no estudo de arboviroses, doenças negligenciadas e saúde pública global.

A homenagem será oficialmente apresentada durante o ASTMH Annual Meeting 2025, que ocorrerá na próxima semana em Toronto, Canadá, reunindo pesquisadores, profissionais de saúde e formuladores de políticas de todo o mundo.

Foto: Johnny Torres / Famerp Divulgação

Famerp lidera primeira etapa de pesquisa sobre chikungunya em Mirassol

Teve início nesta segunda-feira (6 de outubro), a primeira etapa de uma série de estudos para mapear a circulação do vírus chikungunya no município de Mirassol. A ação integra uma pesquisa nacional coordenada pelo Instituto Butantan, com participação da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), do Centro Integrado de Pesquisa (CIP) do Hospital de Base, da farmacêutica Valneva, além do apoio do Ministério da Saúde e das secretarias de saúde estadual e municipal.

Mirassol é o único município do estado de São Paulo entre os nove selecionados no Brasil para participar da pesquisa, que servirá como piloto para estratégias de combate e controle da doença. A primeira fase do trabalho, que vai até novembro, consiste em um inquérito sorológico, que será realizado por meio de visitas domiciliares. Moradores serão sorteados e convidados a participar de entrevistas e exames que ajudarão a identificar se já tiveram contato com o vírus, mesmo que de forma assintomática.

De acordo com o Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, virologista, diretor da Famerp e coordenador do estudo em Mirassol, a etapa inicial busca mapear o impacto da doença na população local. “Estamos iniciando em Mirassol a primeira etapa de uma série de estudos sobre a importância da chikungunya. Começamos um inquérito sorológico para identificar e entender quão importante é a presença do vírus. Nossas equipes já estão nas ruas”, explica o pesquisador.

A análise dos dados obtidos ao longo da pesquisa permitirá compreender melhor a dinâmica de transmissão do chikungunya na cidade, e assim, definir estratégias mais eficazes de prevenção. “Esse levantamento vai nos ajudar a entender como o chikungunya circula em diferentes regiões. Com dados locais confiáveis, será possível fortalecer a vigilância epidemiológica e direcionar futuras estratégias de intervenção para o controle da doença”, destaca Nogueira.

A pesquisa terá duração de dois a três anos e está inserida em um amplo esforço nacional para conter o avanço da chikungunya, uma arbovirose que pode causar sintomas debilitantes e, em alguns casos, consequências prolongadas à saúde. A Secretaria Municipal da Saúde informa que todas as equipes envolvidas estarão uniformizadas e identificadas com crachá. Apenas moradores que residem em Mirassol (dormem ao menos três noites por semana no domicílio) poderão participar do estudo.

A iniciativa reforça o compromisso das instituições envolvidas com a produção de conhecimento científico e com a saúde pública. Os dados levantados serão essenciais para orientar políticas públicas mais eficientes no enfrentamento da chikungunya no Brasil.

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