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Pesquisadores da FAMERP que participaram de estudo da vacina contra a dengue foram imunizados

A equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) que participou do estudo clínico da vacina contra a dengue foi imunizada na tarde da última sexta-feira (13), no Centro de Pesquisas Clínicas da instituição, localizado no bairro Vila Toninho. Ao todo, 32 profissionais foram vacinados.

As doses foram disponibilizadas pelo Instituto Butantan e integram o protocolo adotado pelo instituto de imunizar todas as equipes envolvidas nas pesquisas para o desenvolvimento do imunizante. No estado de São Paulo, a primeira etapa desta campanha de vacinação teve início no último dia 9, com 99 mil doses destinadas aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, de 645 municípios. Do total de doses enviadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), 5.392 doses foram destinadas ao Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Rio Preto e 1.369 ao GVE de Jales.

A FAMERP foi o único centro de pesquisa parceiro do Butantan no interior do estado de São Paulo, na condução do estudo que comprovou a segurança e a eficácia da vacina Butantan-DV. Os dados produzidos pela instituição integraram o conjunto de evidências que fundamentaram o parecer favorável da Anvisa para registro do imunizante.

A vacina apresentou eficácia global de 74,7% contra a dengue sintomática na população de 12 a 59 anos e proteção superior a 89% contra formas graves e com sinais de alarme, conforme resultados publicados em periódicos científicos internacionais. O imunizante é o primeiro contra a dengue em dose única e com proteção contra os quatro sorotipos do vírus.

O virologista e diretor-adjunto de Pós Graduação da FAMERP, Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, destaca o significado científico da vacinação da equipe. “Este é um momento que simboliza o encerramento de um ciclo extremamente rigoroso de pesquisa clínica. Acompanhar voluntários por anos, produzir dados consistentes e contribuir para demonstrar a segurança e a eficácia de uma vacina 100% nacional é motivo de grande responsabilidade e satisfação”, afirmou.

Referência internacional em arboviroses e um dos coordenadores científicos da pesquisa, o professor Nogueira ressalta que “ver essa vacina sendo aplicada na própria equipe é a concretização de um trabalho científico sólido que começou muito antes da campanha de imunização”.

A infectologista Profa. Dra. Cássia Estofolete também concorda. “Esse é um momento muito importante, especialmente para nós, que conhecemos o peso real das doenças. Quem está no estudo vê de perto hospitalização, complicações, impacto em família e em sistema de saúde. Pesquisa é responsabilidade. Nós pedimos a confiança das pessoas: ‘venha, participe!’. E quando eu me vacino, mostro que confio no método, nos dados e no processo de segurança que eu mesma ajudei a colocar de pé”, destacou.

Parceria com o Instituto Butantan
Principal parceira do Instituto Butantan no interior do estado de São Paulo, a FAMERP teve papel central na produção das evidências científicas que hoje embasam a estratégia nacional de imunização contra a dengue.

“É uma parceria sólida, com anos de duração. A ideia é que o Instituto Butantan, como desenvolvedor de vacinas e outros imunobiológicos de interesse especial para o SUS, identifique parceiros estratégicos com alto conhecimento científico no Estado de São Paulo. E a FAMERP é um desses parceiros estratégicos, pelo know-how tanto de recursos humanos como em pesquisas e pessoas que sabem fazer pesquisa clínica”, afirma José Moreira, diretor de Matéria Médica do instituto.

O Butantan é o maior produtor de vacinas e soros da América Latina e o principal fabricante de imunobiológicos do Brasil, responsável por 100% das vacinas contra influenza utilizadas na Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Referência internacional em qualidade e eficiência, o instituto lidera projetos estratégicos para a segurança sanitária do país.

FAMERP fortalece mobilização regional no enfrentamento à dengue e reafirma compromisso com o SUS

Diante dos desafios impostos pela circulação da dengue e outras arboviroses na região de Rio Preto, a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) sediou o II Fórum Regional de Enfrentamento da Dengue, reunindo autoridades da saúde, gestores públicos e profissionais da Rede de Atenção à Saúde dos 102 municípios do DRS-15.

O encontro reforçou a importância do planejamento integrado, da capacitação contínua e da atuação baseada em evidências científicas para reduzir impactos sociais, assistenciais e econômicos causados pela doença.

A mesa de abertura contou com a presença do vice-diretor geral da FAMERP, Prof. Dr. Aldenis Borim; do diretor-executivo da Funfarme, Prof. Dr. Horácio Ramalho; do secretário municipal de saúde de Rio Preto, Dr. Rubem Bottas; do diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-15), Dr. André Luciano Baitello; e da Chefe do Departamento de Epidemiologia e Saúde da FAMERP, Profa. Dra. Maria Lúcia Machado Salomão.

Ao longo da programação, foram discutidos o cenário epidemiológico regional, estratégias de diagnóstico precoce, manejo clínico e organização da rede assistencial, com atenção especial a grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pacientes com comorbidades.

Ciência produzida em Rio Preto
A FAMERP tem papel estratégico no enfrentamento à dengue não apenas na formação de profissionais e na articulação regional, mas também na produção de conhecimento científico.

A instituição foi o único centro de pesquisa do Estado de São Paulo nos estudos da vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada pela Anvisa. A segurança do imunizante foi avaliada por pesquisadores da FAMERP junto à população de São José do Rio Preto, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Esse protagonismo reafirma o compromisso da Faculdade com a ciência pública, a universidade pública e o fortalecimento do SUS como patrimônio da população brasileira.

Formação, pesquisa e assistência integradas
As ações assistenciais realizadas nos hospitais de ensino contam com a atuação direta de professores, pesquisadores, residentes e alunos da FAMERP, integrando ensino, pesquisa e cuidado à população.

Mais do que um evento pontual, o Fórum representa um movimento contínuo de mobilização regional, baseado em responsabilidade pública, cooperação institucional e produção científica qualificada. Rio Preto enfrenta desafios importantes na saúde pública, mas enfrenta com conhecimento, preparo técnico e união.

▶️ Assista à participação do Prof. Dr. Aldenis Borim: https://www.instagram.com/p/DUqTMDVEgZS/

Fotos: Johnny Torres / Famerp Divulgação

Pesquisa liderada pela Famerp e Funfarme coloca Mirassol na largada da vacinação contra Chikungunya

Mirassol entrou para a história da saúde pública brasileira nesta segunda-feira (2) ao se tornar o primeiro município do país a iniciar a vacinação contra a chikungunya. O marco, no entanto, vai além do ato simbólico da primeira dose aplicada: a largada da imunização só foi possível graças aos estudos científicos liderados pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), em parceria com a Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme), que garantiram a segurança e a eficácia da vacina.

Mais do que um avanço no combate à chikungunya, o início da vacinação evidencia o impacto direto da pesquisa científica na vida da população, como é o caso da enfermeira Maria do Rozário Drigo Fernandes, que atua no Centro de Saúde II (Postão), em Mirassol. Acostumada a vacinar a população, Maria do Rozário ficou emociona ao ser a primeira brasileira a ser vacinada.

O início da campanha foi acompanhado pelo secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Dr. Eleuses Paiva, pela médica infectologista Profª Drª Cassia Estofolete, pesquisadora da Famerp e uma das coordenadoras do estudo. Também estavam presentes o Dr. José Moreira, diretor de Matéria Médica do Instituto Butantan e o diretor-executivo da Funfarme, Prof. Dr. Horácio Ramalho, além do diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-XV), Dr. André Luciano Baitello, e autoridades municipais.

A vacinação em Mirassol é resultado direto de um longo processo de pesquisa clínica, do qual a Famerp foi a única instituição de ensino superior participante. A faculdade esteve envolvida em todas as etapas dos estudos, desde as fases iniciais até os ensaios clínicos mais avançados, consolidando o papel da região como polo estratégico de ciência e inovação em saúde.

Para o secretário estadual da Saúde, Dr. Eleuses Paiva, o protagonismo da Famerp reforça a relevância da instituição no cenário nacional. “A Famerp é um polo de ciência extremamente importante, não só para a região noroeste, mas hoje é um motivo de orgulho para o nosso país”, afirmou.

Segundo Paiva, a participação da faculdade foi fundamental para a comprovação da segurança e da eficácia do imunizante. “A Famerp foi extremamente importante para a gente poder avançar, principalmente nos estudos de fase três, que fizemos no Brasil. A Famerp foi um desses polos, onde nós tratávamos tanto populações mais jovens como populações dessa faixa etária, para ver qual a resposta”, explicou. De acordo com o secretário, os resultados obtidos no país foram equivalentes aos observados em estudos realizados na Europa. “Aqui no Brasil, a resposta foi muito similar: 98,7% dos voluntários tiveram produção de anticorpos neutralizantes”, completou.

O imunizante contra a chikungunya foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva, em parceria com o Instituto Butantan, e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. A aplicação inicial ocorre de forma estratégica em municípios considerados de maior risco epidemiológico. Ao todo, dez cidades de quatro estados brasileiros foram selecionadas para esta primeira etapa, com Mirassol abrindo oficialmente a campanha nacional.

O município recebeu um primeiro lote com 2.400 doses e a expectativa é vacinar cerca de 37.500 pessoas. Desde esta segunda-feira, moradores com idade entre 18 e 59 anos podem receber a vacina gratuitamente nas unidades de saúde da cidade.

Durante o evento, o prefeito de Mirassol, Edson Antonio Ermenegildo, destacou a satisfação de o município ter sido escolhido para iniciar a vacinação no Brasil. “Sem ciência, só milagre”, afirmou

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika, e tem apresentado crescimento expressivo no país. Dados do Ministério da Saúde indicam que, somente em 2024, foram registrados 263.502 casos e 246 óbitos no Brasil. A doença pode causar febre alta, dores intensas nas articulações, dores musculares e, em alguns casos, complicações neurológicas. Como não há tratamento antiviral específico, a vacinação é considerada a principal estratégia de prevenção.

Fotos: Johnny Torres / Famerp Divulgação

Virologista da Famerp/Funfarme recebe Colar de Honra ao Mérito Legislativo da Alesp por contribuições à ciência e à saúde pública

Maior honraria do Parlamento Paulista reconhece a trajetória do Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, referência internacional no enfrentamento de epidemias e no desenvolvimento da vacina contra a dengue

O Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, médico virologista e diretor-adjunto de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), recebeu o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, a mais alta distinção concedida pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A honraria foi proposta pelo deputado estadual Itamar Borges (MDB) e entregue em solenidade realizada na manhã desta segunda-feira (12), na diretoria da Famerp. Além de pesquisador da Famerp, Dr. Maurício Lacerda Nogueira também atua no Centro Integrado de Pesquisa Clinica (CIP) e no Laboratório Central do Hospital de Base, de Rio Preto.

O Colar de Honra ao Mérito Legislativo é destinado a personalidades e instituições que se destacam por contribuições relevantes ao desenvolvimento social, cultural e econômico do Estado de São Paulo. A homenagem reconhece a trajetória científica do Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, cuja atuação tem impacto direto na formulação de políticas públicas de saúde, no Brasil e no cenário internacional.

Referência em virologia, arboviroses e imunizações, o professor teve papel central no enfrentamento de epidemias como zika, dengue e Covid-19, além de liderar estudos que contribuíram para o desenvolvimento da primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, produzida pelo Instituto Butantan e aprovada pela Anvisa. A Famerp foi um dos principais centros do maior ensaio clínico sobre dengue já realizado no país, envolvendo mais de 16 mil voluntários em 14 estados brasileiros.

Em 2025, Maurício Lacerda Nogueira também passou a integrar a lista dos cientistas brasileiros mais influentes do mundo, segundo levantamento da Agência Bori em parceria com a plataforma Overton, que identifica pesquisadores cujas evidências científicas embasam decisões estratégicas de governos e organismos internacionais. Ele ocupa a 63ª posição entre os 107 brasileiros mais citados em documentos de políticas públicas globais, com destaque para a área de doenças infecciosas e vacinas.

O reconhecimento internacional se soma à recente homenagem concedida pela American Society of Tropical Medicine and Hygiene (ASTMH), que outorgou ao pesquisador o título de Distinguished International Fellow, uma das mais altas distinções mundiais em medicina tropical e saúde global. O prêmio reconhece contribuições duradouras e de alto impacto no combate a doenças infecciosas e na melhoria dos resultados em saúde pública.

“Considerando que o Colar de Honra ao Mérito Legislativo é a mais alta distinção concedida por esta Assembleia a personalidades cujos feitos contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento social, científico e humano de São Paulo, a trajetória do Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira satisfaz, com sobra, os requisitos de excepcionalidade, serviço público e repercussão social que orientam a concessão da honraria”, afirmou Itamar na justificativa apresentada à Alesp para a homenagem. “Diante desse robusto conjunto de méritos — liderança científica, inovação com aplicação imediata no SUS, impactos comprovados em emergências sanitárias e fortalecimento da capacidade científica paulista —, resta plenamente justificada a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo ao pesquisador”, acrescentou o deputado, que é de Rio Preto.

Para o Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, a honraria da Alesp representa um reconhecimento coletivo. “A ciência só tem sentido quando ultrapassa os muros da universidade e contribui para melhorar a vida das pessoas. Esse reconhecimento reflete o trabalho da Famerp e da Funfarme, dos nossos alunos, colegas e das comunidades que confiaram na pesquisa científica”, afirma.

O diretor-geral da Famerp, Prof. Dr. Helencar Ignácio, destaca que a homenagem reforça o papel estratégico da instituição no cenário nacional. “A trajetória do professor Maurício reafirma o compromisso da Famerp com a produção de conhecimento científico de alto impacto social, capaz de orientar políticas públicas e fortalecer o sistema de saúde”, ressalta.

O diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramanho, também destacou a importância do reconhecimento.

“É motivo de orgulho para a Funfarme ver um pesquisador que atua em nossos serviços receber a maior honraria do Parlamento Paulista. A trajetória do professor Maurício representa a ciência com impacto direto no SUS e na saúde da população, fortalecendo o papel da instituição no cenário nacional e internacional”, afirma.

Foto: Johnny Torres / Famerp Divulgação

Vacina do Butantan contra a dengue reduz carga viral e pode conter transmissão da doença

Estudo recém-publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas mostra que a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan é capaz de frear a replicação do vírus quando a infecção ocorre – os chamados breakthrough cases (casos de escape vacinal). Para o paciente, dizem os autores, isso pode representar sintomas menos graves e menor risco de complicações. Do ponto de vista da saúde pública, uma baixa carga viral está associada a uma redução no risco de transmissão do vírus para os mosquitos.

“Esse dado preliminar sugere que a vacinação pode ter um efeito importante na circulação do vírus, ajudando a minimizar novos surtos da doença. Mas é algo que ainda precisamos confirmar com novos estudos”, afirma Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e autor correspondente do artigo. O estudo contou com a participação de Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan que esteve à frente dos testes clínicos da vacina.

Desenvolvida com apoio inicial da FAPESP, a Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de novembro e deve começar a ser oferecida na rede pública de saúde em 2026 para pessoas entre 12 e 59 anos. Dados da terceira fase de testes clínicos, com mais de 16 mil voluntários de 14 Estados brasileiros, indicam que o imunizante tem 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra a dengue grave e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.

A pesquisa liderada por Nogueira e apoiada pela FAPESP foi feita com amostras de sangue de participantes do estudo clínico de fase 3. Foram analisadas 365 amostras positivas para o vírus (sorotipos 1 e 2, que estavam em circulação entre 2016 e 2021, quando ocorreu a fase 3), divididas em dois grupos: o dos vacinados e o de indivíduos que receberam placebo. O objetivo foi analisar a diversidade genética do vírus e compará-la entre vacinados e não vacinados.

Foram sequenciados os genomas virais completos de 160 amostras e, com os dados, foi montada a “árvore genealógica” do vírus (análise filogenética). “Uma das dúvidas que buscamos responder é se haveria alguma linhagem viral associada ao escape vacinal, ou seja, se a vacina estaria protegendo apenas contra algumas linhagens e deixando escapar outras. E vimos que isso não estava acontecendo. As cepas eram as mesmas nos dois grupos analisados”, conta Nogueira.

Outro objetivo foi verificar se a vacina estaria exercendo uma pressão seletiva sobre o patógeno, isto é, favorecendo o surgimento de variantes capazes de driblar os anticorpos induzidos pela vacina. Com auxílio de modelos computacionais, os pesquisadores analisaram as mutações que estavam ocorrendo dentro de cada participante. Os dados indicam que não houve diferença nas taxas de mutação entre vacinados e não vacinados.

Ao olhar a diversidade genética do vírus dentro de cada indivíduo, por meio de uma técnica conhecida como deep sequencing, os cientistas concluíram que – ao menos neste primeiro momento do ensaio clínico – o sistema imune treinado pela vacina não estava selecionando variantes raras ou perigosas dentro do organismo dos imunizados. “Este é mais um dado que mostra a segurança e a eficácia dessa vacina”, afirma Nogueira.

Contexto epidemiológico

Considerada uma região hiperendêmica para dengue, no Brasil é comum que diversas linhagens do vírus circulem simultaneamente. Em 2024, quando ocorreu a maior epidemia da história do país, com mais de 6 milhões de casos e 6 mil mortes confirmadas, os sorotipos predominantes foram o DENV-1 e o DENV-2.

No estudo agora publicado, os autores analisaram a circulação viral durante toda a fase 3 dos testes clínicos da Butantan-DV (2016-2021). Os sorotipos predominantes foram o DENV-1 e o DENV-2, motivo pelo qual a análise filogenética se concentrou neles. Casos de DENV-3 e DENV-4 foram raros nesses cinco anos e, segundo os autores, a eficácia da Butantan-DV contra esses sorotipos continuará sendo avaliada em estudos futuros, à medida que novos dados se tornem disponíveis.

Fonte: Karina Toledo | Agência FAPESP

O artigo Dengue virus genetic diversity in unvaccinated and vaccinated dengue-infected individuals: an observational analysis of the Butantan-DV phase 3 trial in Brazil pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667193X25003205?via%3Dihub.

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