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Pesquisadoras da FAMERP participaram do Congresso Argentino de Virologia com estudos sobre arbovírus e vigilância entomológica

A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) foi representada no XIV Congreso Argentino de Virología, realizado na semana passada, pela Profa. Dra. Cecília Artico Banho, docente da Pós-Graduação da instituição, e por alunas dos programas de mestrado e doutorado.

A Profa. Dra. Cecília Artico Banho participou como palestrante, apresentando o trabalho “Tracking chikungunya virus in mosquitoes: entomological surveillance and genomic insights into transmission and virus–vector interactions in Brazil”. A apresentação abordou a vigilância do vírus chikungunya em mosquitos, com foco em dados entomológicos, análises genômicas e na compreensão das interações entre vírus e vetor no contexto brasileiro.

Além da palestra, três alunas da FAMERP apresentaram trabalhos em formato de pôster. A doutoranda Olivia Borghi Nascimento apresentou o estudo “Entomological surveillance of chikungunya virus in Southeastern Brazil”, voltado à vigilância entomológica do vírus chikungunya na região Sudeste do Brasil.

A mestranda Maria Vitória Moraes Ferreira apresentou o trabalho “From co-circulation to predominance: competitive dynamics between DENV-2 and DENV-3 in mosquito-derived isolates”, que discutiu a dinâmica competitiva entre os sorotipos DENV-2 e DENV-3 em isolados obtidos de mosquitos.

Também em formato de pôster, a mestranda Ana Paula Lemos apresentou o estudo “Surveillance of Arboviruses and Insect-Specific Viruses in Mosquitoes from Sylvatic and Urban Areas of São José do Rio Preto, SP, Brazil”, sobre a vigilância de arbovírus e vírus específicos de insetos em mosquitos coletados em áreas silvestres e urbanas de São José do Rio Preto.

A mestranda Beatriz Cunha de Souza, ingressante no programa neste ano, também participou do congresso como ouvinte, acompanhando as discussões científicas e atividades do evento.

A participação das alunas contou com ajuda de custos concedida pelo próprio congresso, um apoio financeiro competitivo que reforça a qualidade e a relevância dos trabalhos selecionados. A participação da equipe também foi viabilizada com recursos do PROAP/CAPES e da FAPESP, fundamentais para ampliar a formação científica, estimular a internacionalização e fortalecer a presença de jovens pesquisadoras em espaços de alto nível acadêmico.

A presença da FAMERP em fóruns científicos internacionais como o Congresso Argentino de Virologia é estratégica para ampliar a visibilidade da produção científica desenvolvida na instituição, promover intercâmbio com grupos de pesquisa de outros países e consolidar colaborações em áreas prioritárias para a saúde pública. A participação da equipe evidenciou a atuação da FAMERP em pesquisas sobre arboviroses, vigilância entomológica, genômica viral e interações vírus-vetor, temas essenciais para o monitoramento, prevenção e enfrentamento de doenças transmitidas por mosquitos no Brasil.

Fotos: Divulgação

Pesquisadores da FAMERP que participaram de estudo da vacina contra a dengue foram imunizados

A equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) que participou do estudo clínico da vacina contra a dengue foi imunizada na tarde da última sexta-feira (13), no Centro de Pesquisas Clínicas da instituição, localizado no bairro Vila Toninho. Ao todo, 32 profissionais foram vacinados.

As doses foram disponibilizadas pelo Instituto Butantan e integram o protocolo adotado pelo instituto de imunizar todas as equipes envolvidas nas pesquisas para o desenvolvimento do imunizante. No estado de São Paulo, a primeira etapa desta campanha de vacinação teve início no último dia 9, com 99 mil doses destinadas aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, de 645 municípios. Do total de doses enviadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), 5.392 doses foram destinadas ao Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Rio Preto e 1.369 ao GVE de Jales.

A FAMERP foi o único centro de pesquisa parceiro do Butantan no interior do estado de São Paulo, na condução do estudo que comprovou a segurança e a eficácia da vacina Butantan-DV. Os dados produzidos pela instituição integraram o conjunto de evidências que fundamentaram o parecer favorável da Anvisa para registro do imunizante.

A vacina apresentou eficácia global de 74,7% contra a dengue sintomática na população de 12 a 59 anos e proteção superior a 89% contra formas graves e com sinais de alarme, conforme resultados publicados em periódicos científicos internacionais. O imunizante é o primeiro contra a dengue em dose única e com proteção contra os quatro sorotipos do vírus.

O virologista e diretor-adjunto de Pós Graduação da FAMERP, Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira, destaca o significado científico da vacinação da equipe. “Este é um momento que simboliza o encerramento de um ciclo extremamente rigoroso de pesquisa clínica. Acompanhar voluntários por anos, produzir dados consistentes e contribuir para demonstrar a segurança e a eficácia de uma vacina 100% nacional é motivo de grande responsabilidade e satisfação”, afirmou.

Referência internacional em arboviroses e um dos coordenadores científicos da pesquisa, o professor Nogueira ressalta que “ver essa vacina sendo aplicada na própria equipe é a concretização de um trabalho científico sólido que começou muito antes da campanha de imunização”.

A infectologista Profa. Dra. Cássia Estofolete também concorda. “Esse é um momento muito importante, especialmente para nós, que conhecemos o peso real das doenças. Quem está no estudo vê de perto hospitalização, complicações, impacto em família e em sistema de saúde. Pesquisa é responsabilidade. Nós pedimos a confiança das pessoas: ‘venha, participe!’. E quando eu me vacino, mostro que confio no método, nos dados e no processo de segurança que eu mesma ajudei a colocar de pé”, destacou.

Parceria com o Instituto Butantan
Principal parceira do Instituto Butantan no interior do estado de São Paulo, a FAMERP teve papel central na produção das evidências científicas que hoje embasam a estratégia nacional de imunização contra a dengue.

“É uma parceria sólida, com anos de duração. A ideia é que o Instituto Butantan, como desenvolvedor de vacinas e outros imunobiológicos de interesse especial para o SUS, identifique parceiros estratégicos com alto conhecimento científico no Estado de São Paulo. E a FAMERP é um desses parceiros estratégicos, pelo know-how tanto de recursos humanos como em pesquisas e pessoas que sabem fazer pesquisa clínica”, afirma José Moreira, diretor de Matéria Médica do instituto.

O Butantan é o maior produtor de vacinas e soros da América Latina e o principal fabricante de imunobiológicos do Brasil, responsável por 100% das vacinas contra influenza utilizadas na Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Referência internacional em qualidade e eficiência, o instituto lidera projetos estratégicos para a segurança sanitária do país.

Vacina do Butantan contra a dengue reduz carga viral e pode conter transmissão da doença

Estudo recém-publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas mostra que a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan é capaz de frear a replicação do vírus quando a infecção ocorre – os chamados breakthrough cases (casos de escape vacinal). Para o paciente, dizem os autores, isso pode representar sintomas menos graves e menor risco de complicações. Do ponto de vista da saúde pública, uma baixa carga viral está associada a uma redução no risco de transmissão do vírus para os mosquitos.

“Esse dado preliminar sugere que a vacinação pode ter um efeito importante na circulação do vírus, ajudando a minimizar novos surtos da doença. Mas é algo que ainda precisamos confirmar com novos estudos”, afirma Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e autor correspondente do artigo. O estudo contou com a participação de Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan que esteve à frente dos testes clínicos da vacina.

Desenvolvida com apoio inicial da FAPESP, a Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de novembro e deve começar a ser oferecida na rede pública de saúde em 2026 para pessoas entre 12 e 59 anos. Dados da terceira fase de testes clínicos, com mais de 16 mil voluntários de 14 Estados brasileiros, indicam que o imunizante tem 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra a dengue grave e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.

A pesquisa liderada por Nogueira e apoiada pela FAPESP foi feita com amostras de sangue de participantes do estudo clínico de fase 3. Foram analisadas 365 amostras positivas para o vírus (sorotipos 1 e 2, que estavam em circulação entre 2016 e 2021, quando ocorreu a fase 3), divididas em dois grupos: o dos vacinados e o de indivíduos que receberam placebo. O objetivo foi analisar a diversidade genética do vírus e compará-la entre vacinados e não vacinados.

Foram sequenciados os genomas virais completos de 160 amostras e, com os dados, foi montada a “árvore genealógica” do vírus (análise filogenética). “Uma das dúvidas que buscamos responder é se haveria alguma linhagem viral associada ao escape vacinal, ou seja, se a vacina estaria protegendo apenas contra algumas linhagens e deixando escapar outras. E vimos que isso não estava acontecendo. As cepas eram as mesmas nos dois grupos analisados”, conta Nogueira.

Outro objetivo foi verificar se a vacina estaria exercendo uma pressão seletiva sobre o patógeno, isto é, favorecendo o surgimento de variantes capazes de driblar os anticorpos induzidos pela vacina. Com auxílio de modelos computacionais, os pesquisadores analisaram as mutações que estavam ocorrendo dentro de cada participante. Os dados indicam que não houve diferença nas taxas de mutação entre vacinados e não vacinados.

Ao olhar a diversidade genética do vírus dentro de cada indivíduo, por meio de uma técnica conhecida como deep sequencing, os cientistas concluíram que – ao menos neste primeiro momento do ensaio clínico – o sistema imune treinado pela vacina não estava selecionando variantes raras ou perigosas dentro do organismo dos imunizados. “Este é mais um dado que mostra a segurança e a eficácia dessa vacina”, afirma Nogueira.

Contexto epidemiológico

Considerada uma região hiperendêmica para dengue, no Brasil é comum que diversas linhagens do vírus circulem simultaneamente. Em 2024, quando ocorreu a maior epidemia da história do país, com mais de 6 milhões de casos e 6 mil mortes confirmadas, os sorotipos predominantes foram o DENV-1 e o DENV-2.

No estudo agora publicado, os autores analisaram a circulação viral durante toda a fase 3 dos testes clínicos da Butantan-DV (2016-2021). Os sorotipos predominantes foram o DENV-1 e o DENV-2, motivo pelo qual a análise filogenética se concentrou neles. Casos de DENV-3 e DENV-4 foram raros nesses cinco anos e, segundo os autores, a eficácia da Butantan-DV contra esses sorotipos continuará sendo avaliada em estudos futuros, à medida que novos dados se tornem disponíveis.

Fonte: Karina Toledo | Agência FAPESP

O artigo Dengue virus genetic diversity in unvaccinated and vaccinated dengue-infected individuals: an observational analysis of the Butantan-DV phase 3 trial in Brazil pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667193X25003205?via%3Dihub.

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