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Beatriz

“Cerca de 140 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com transtorno bipolar, sendo que muitas delas enfrentam anos de sofrimento até receber um diagnóstico correto.” A afirmação é do psiquiatra Gerardo Maria de Araújo Filho, coordenador do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP).

Um caso emblemático é o da cantora Rita Lee, que recebeu o diagnóstico apenas aos 64 anos. Após a descoberta, em 2012, relatou alívio ao compreender os ciclos de euforia e depressão que, por anos, haviam sido interpretados apenas como depressão.

Apesar da alta prevalência, o transtorno bipolar ainda é frequentemente mal compreendido, subdiagnosticado e confundido com outras condições psiquiátricas, especialmente a depressão. Neste contexto, o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, celebrado em 30 de março, reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e combater o estigma.

Segundo o especialista da FAMERP, a banalização do termo “bipolar” no cotidiano é um dos principais entraves para o diagnóstico correto. “Existe um senso comum de chamar qualquer pessoa com mudanças de humor de bipolar. Mas essas oscilações ao longo do dia são normais e não têm relação com o transtorno bipolar”, afirma. “Essas oscilações breves ao longo do dia fazem parte do espectro normal das vivências humanas. Às vezes você está mais feliz de manhã, mais irritado à tarde. Isso não é transtorno bipolar”, explica o docente.

O transtorno bipolar é uma condição crônica caracterizada por ciclos prolongados de depressão e euforia, que podem durar semanas ou meses, e não horas, como muitos imaginam. Esse equívoco contribui diretamente para atrasos no diagnóstico. Em muitos casos, a doença pode levar de cinco a dez anos para ser identificada corretamente .

Segundo o coordenador do curso de Medicina da FAMERP, é justamente essa duração que diferencia o quadro clínico de mudanças emocionais cotidianas. “O transtorno bipolar é caracterizado por fases: períodos em que a pessoa está deprimida, períodos em que está em euforia e momentos em que pode estar completamente sem sintomas”, afirma.

De acordo com o especialista, o transtorno bipolar pode ser classificado em dois principais tipos. O tipo 1 é caracterizado por episódios de mania mais intensos, podendo incluir delírios e alucinações. Já o tipo 2 inclui episódios depressivos mais frequentes e fases de euforia mais leves (hipomania). A doença geralmente se manifesta entre os 16 e 25 anos, mas pode ocorrer em outras fases da vida.

Causas e fatores de risco
O transtorno bipolar tem origem multifatorial, com forte influência biológica e genética. Estudos indicam que entre 10% e 20% dos filhos de pessoas com o transtorno também podem desenvolvê-lo. Além disso, fatores ambientais e estresse podem atuar como gatilhos para o surgimento ou agravamento dos episódios.

Um dos principais alertas dos especialistas é evitar o autodiagnóstico. O acompanhamento profissional é essencial. “Se você ou um familiar suspeita do transtorno, é muito importante procurar ajuda profissional, seja um psiquiatra ou psicólogo”, orienta.

O docente também explica que o tratamento envolve acompanhamento psiquiátrico, uso de medicação quando indicado, psicoterapia, estilo de vida saudável (atividade física e alimentação equilibrada). “Com o tratamento adequado, é possível manter qualidade de vida e estabilidade emocional”.

Sinais durante a fase depressiva (podem durar pelo menos duas semanas)
•     Tristeza persistente
•     Perda de interesse em atividades antes prazerosas
•     Alterações no sono e apetite
•     Baixa autoestima
•     Falta de energia

Sinais durante a fase de euforia (mania ou hipomania)
•     Humor excessivamente elevado ou irritável
•     Aceleração do pensamento e fala
•     Autoestima inflada
•     Impulsividade (gastos excessivos, comportamentos de risco)
•     Diminuição da necessidade de sono

Foto: Johnny Torres / FAMERP Divulgação

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