Durante o mês de julho, a fachada da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) recebe iluminação na cor verde em alusão ao Julho Verde, campanha nacional dedicada à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. A iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre uma doença que ainda apresenta elevado número de diagnósticos em estágios avançados, condição que reduz as possibilidades de tratamento e aumenta o impacto sobre a qualidade de vida dos pacientes.
A iluminação integra a 11ª Campanha de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço, promovida pela FAMERP/FUNFARME. Ao longo do mês, a campanha reúne ações educativas conduzidas por profissionais especializados, voltadas a pacientes, familiares, profissionais da saúde e estudantes de graduação e pós-graduação. Também estão previstas atividades de orientação à população, com distribuição de materiais informativos sobre fatores de risco, sinais e sintomas da doença.
Entre os tumores que compõem esse grupo estão aqueles que acometem a cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal, seios da face, glândulas salivares, tireoide e outras estruturas da cabeça e do pescoço. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 70 mil novos casos desse conjunto de doenças no triênio 2023-2025.
Na FAMERP, o tema também está presente na pesquisa científica desenvolvida pela professora Dra. Eny Goloni Bertollo, médica geneticista que atua na investigação dos aspectos genéticos relacionados ao câncer de cabeça e pescoço. O trabalho integra as atividades de pesquisa da instituição voltadas ao avanço do conhecimento sobre a doença e à produção científica na área da oncologia.
Um dos principais desafios é o diagnóstico precoce. Alterações persistentes costumam ser confundidas com problemas de menor gravidade, retardando a procura por atendimento especializado. Rouquidão persistente, dor frequente na garganta, feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade para engolir, obstrução nasal contínua, sangramentos nasais recorrentes, alterações na visão, perda de peso sem causa aparente, mau hálito persistente e mobilidade dos dentes sem motivo evidente são alguns dos sinais que merecem avaliação médica.
Entre os principais fatores de risco estão o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente por meio de relações sexuais desprotegidas, o consumo frequente de bebidas em temperaturas muito elevadas, a exposição excessiva ao sol — sobretudo nos casos de câncer de lábio — e o contato ocupacional com agentes como poeira de madeira, poeiras têxteis, compostos de níquel, amianto, sílica, benzeno, agrotóxicos e outros produtos potencialmente cancerígenos. A infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) também está associada a alguns tipos específicos desses tumores.
Ao iluminar sua fachada na cor verde, a FAMERP dá visibilidade a uma campanha de alcance nacional e contribui para ampliar o debate sobre prevenção, diagnóstico precoce e pesquisa científica relacionada ao câncer de cabeça e pescoço.
